Física
O Chaves de Schrodinger
Caixa de papelão. Equação de Schrödinger. Um gato que nunca foi — mas que ainda vive na minha cabeça. Um projeto de luto, física e memória.
Year :
2024
Industry :
Ciência
Client :
Projeto pessoal
Project Duration :
1 semana
Problema : " Quando o luto vira superposição: um gato que não morreu — só saiu do meu mundo".
Quando o gato sumiu — não por um feitiço quântico, mas por um silêncio definitivo — comecei a questionar: se a observação define a realidade, então quem garante que ele realmente partiu?
Nesta obra de luto e física poética, as caixas de papelão tornam-se réplicas da caixa de Schrödinger: cada uma contém não um felino vivo e morto ao mesmo tempo, mas a ambiguidade da saudade — onde a memória nega a morte, e a mente recusa o fim. A equação escrita no exterior não é um enigma científico, mas um ritual: uma tentativa de manter o gato em superposição entre o que foi e o que ainda pode ser, enquanto o mundo insiste em colapsar sua existência em um único, doloroso estado: ausente.
Solução : "Não fecho a caixa — deixo a porta entreaberta, pra ele ainda poder voltar."
A solução não está em resolver o paradoxo, mas em abraçá-lo. Cada caixa que construo não é um objeto para vender — é um altar caseiro, uma declaração de amor à incerteza. Em vez de buscar a resposta final — vivo ou morto — decidi manter a porta entreaberta: um gesto mínimo, mas revolucionário, contra a rigidez da perda. A equação não explica a morte; ela a reverencia.
E assim, enquanto alguém segurar a caixa, enquanto olhar para aquela fórmula e sorrir com tristeza, o gato ainda está lá — não por ciência, mas por escolha: porque às vezes, amar significa se recusar a colapsar a realidade.
Desafio: Desafiar a física da perda: como viver com algo que já acabou — mas ainda não sumiu.
O maior desafio não foi construir caixas ou pintar equações — foi enfrentar a tensão entre o que a ciência diz e o que o coração recusa. A física nos ensina que, ao abrir a caixa, o estado colapsa: o gato está vivo *ou* morto. Mas o luto não segue essa lógica. Ele vive no limiar — entre lembranças que ainda respiram e silêncios que nunca se calam. Desafiar essa realidade é insistir que a ausência não precisa ser definitiva; que a memória pode ser uma forma de superposição emocional. Minha caixa não resolve o paradoxo — ela o preserva. E nisso reside o verdadeiro desafio: aprender a conviver com a incerteza, porque algumas perdas só deixam de doer quando deixamos de exigir que elas terminem.
Resumo : Uma caixa, uma equação, um gato que nunca deixou de existir — só mudou de estado.
Este projeto é um manifesto poético entre luto e física quântica: uma série de caixas de papelão, cada uma com a equação de Schrödinger, que não contêm gatos — mas a memória deles. Não é arte para explicar a ciência, nem ciência para curar a dor. É um ato de resistência: manter o gato em superposição entre a realidade e o desejo, entre o fim e a eternidade da lembrança. Através do blog, das caixas e das palavras, transformo a perda em algo que ainda vibra — não porque nego a morte, mas porque amar significa se recusar a colapsar o que foi essencial.






